sábado, 31 de dezembro de 2011

Eu quero um amor pra vida toda


Esse é o título de uma comunidade no Orkut que possui  1.386.709 membros, portanto mais de um milhão de pessoas ,ainda, buscam um relacionamento duradouro.

Um relacionamento onde as recordações são feitas em conjunto, pois ambos vivenciaram as mesmas situações. 

Um relacionamento no qual os filhos visitam os pais, que moram na mesma casa há mais de 40 anos, levam os netos,  os bisnetos .

Um relacionamento que dura, perdura e ousando mais, se perpetua!!

Isso é ser romântico?

Amar é ser romântico?

E o que é ser romântico? É  cobrir de atenções, de elogios, surpresas, mesmo que  coisas simples, como flores em uma data que não seja especial. É dedicar-se a outra pessoa, deixando-a segura de que seu “amar” também é retribuído.

O romantismo está para o amor assim como o amor está para o romantismo.

Quem não mais acredita no amor, é porque um dia deixou de ser amado , deixou de receber o romantismo pertinente ao amor. Mas...deixou de acreditar mesmo?

Se tivesse deixado de acreditar no amor, ninguém mais desejaria um amor, mesmo sem saber se duraria a vida toda.

E quem deseja , de verdade, um amor pra vida toda vai se dedicar a essa "busca".Pois sabe que amar não é só “estar com”, é também “se preocupar com”.

E sabendo que pode  encontrar um amor assim, quem não iria querer que fosse para a vida toda?

sábado, 10 de dezembro de 2011

Escolhendo um filme

...sempre fora impressionável. Peneirava tudo que ouvia.

Sua mãe falou que não suportava ouvir palavras pronunciadas erroneamente, foi o suficiente pra ela sentir até arrepios ao ouvir um “menas”, por exemplo.

Sua avó tinha o hábito de abrir a porta de sua casa para as visitas saírem, dizia que se as visitas o fizessem não mais voltariam. Depois disso ela passou a abrir a porta ao se despedir das visitas
.
Sua paixão: filmes!!! Ela se envolvia no enredo como se ainda fosse viver aquilo na vida real. Assistia ao mesmo filme diversas vezes, sempre procurando entender como tudo poderia acontecer com ela.

Decorava falas porque acreditava piamente que elas teriam o mesmo efeito se as empregasse no seu dia a dia.

Assim, os filmes passaram a ser sua vida e as situações, pelas quais passou, receberam classificações.

Sua adolescência foi um filme de suspense, cheia de dúvidas e fatos inesperados, com uma mescla de filme romântico, ao se apaixonar.

Viveu um grande amor, igualzinho aos filmes românticos, cheio de desencontros, mas com final feliz.
Ao perder para sempre esse amor, vivenciou um filme romântico com final trágico.

Em outra fase, da vida, viveu um filme de terror, com perseguições, locais perigosos e situações que a fariam lamentar  muito ter acreditado em tudo .

Escolheu viver um filme heróico acreditando que, apesar das batalhas, sairia vitoriosa.

Mas acabou num desses filmes medíocres sobre hospitais, médicos e atendimentos emergenciais.

Agora vivia uma situação real que ela escolhera, mas que não se assemelhava a nenhum filme já assistido. E por estar assim, sem saber qual rumo tomar, só tinha uma vontade: fugir para um seriado tipo” Lost”!!!

Talvez surjam novos filmes que lhe tragam as respostas esperadas, talvez seja melhor desligar o DVD e escrever  seu próprio filme...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

No cotidiano

Colocou o arranjo de flores sobre o balcão e abriu a loja de doces.

— Um brigadeiro, por favor, o maior, aquele ali a direita, não, isso, obrigada.
— O quindim está fresquinho? Quero dois, embale para viagem, rápido que estou com pressa.
— Uma fatia daquele bolo de chocolate maravilhoso. Não se preocupe em embalar, vou devorar agora mesmo.Muito obrigada.
— Me veja quatro queijadinhas,mas quero as mais clarinhas, por que a semana passada comi duas muito queimadas, estavam horríveis.Vamos ver se hoje estão melhores.
— Não tem rocambole? Nunca encontro rocambole em loja de doces. Aqui não é uma loja de doces? Então porque não tem rocambole?
— Impressionante, não é? Nunca vejo novidades em loja de doce...
— Faz meia hora que paguei e não recebi minha ficha.
— Nossa, aqui dentro está muito abafado, não tem ventilação aqui?
— Poderia fechar a porta? Está um vento insuportável.
— Uma fatia de torta.
— Um bombom
— Um...
— Dois...

...  Fechou a loja, pegou o arranjo de flores, sentou-se e aos poucos, lentamente, passou a morder as pétalas: baunilha!....Mordeu o miolo das flores: fios de ovos!

Colocou o avental e foi para a cozinha preparar um novo arranjo de flores. Amanhã, quem sabe?!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Pedra silenciosa

Parada, estancada, muda, ensimesmada.

Por quanto tempo te movi? Por quanto tempo insisti?

Água viva procurando sempre estar e ser.

Pedra silenciosa acompanhando meu descer....Quando a água parou, pedra silenciosa estagnou.

Água e pedra por pouco tempo no mesmo espaço.

Só, água desceu, desceu...

A água secou e a pedra por lá ficou....

Nova fonte surgiu para movimentar a mesma pedra.

A tempestade fez a água reviver...

Pedra parada nem sabe que secará a fonte.

Pedra silenciosa, para sempre silenciosa.

domingo, 20 de novembro de 2011

Procurando sarna pra se coçar.


Vasculha daqui, remexe dali, abre as gavetas e nada!....Tenta nos locais altos, prateleiras,chega até  a pedir ajuda a uma escada e não obtém resposta.

Se olha no espelho, vira o rosto, faz biquinho, empina o corpo, aproxima o rosto e no reflexo vê uma caixa, vira-se e corre em sua direção. Abre a caixa e espalha tudo sobre a cama, item por item, enfileirando suas emoções.

Na primeira fila coloca as cartas, os bilhetinhos, guardanapos com nomes dos locais que conheceu. Esta fileira está pesada, pensa.

Na segunda fila coloca as fotos, os  sorrisos no primeiro foco e logo atrás estão as paisagens, o céu azul.  Ao tentar tocar as fotos sobre a cama sente um calor insuportável nas pontas dos dedos, afasta-os.

Caberá a terceira fileira apenas as lembranças mais recentes colocadas na caixa. Não consegue visualizar com nitidez e se levanta para abrir a janela e deixar a claridade elucidar essas lembranças. Sente um frio diferente, parece que invade apenas algumas partes do seu corpo, estranha a sensação.

Tenta calcular quanto tempo se passou desde que se sentara na cama, mas ouve a campainha tocar e pega o primeiro casaco que encontra, esfriou. Desce as escadas enquanto veste o casaco de pele, conta os degraus um por um e percebe que contou dois degraus a mais. Sobe novamente recontando e nota que faltam mais três degraus. Desce e resolve não mais contar.

Enquanto caminha até a porta começa a sentir um perfume conhecido, fecha os olhos e algumas lembranças deixam-na confusa...abre a porta , sorri e no mesmo momento sente uma coceira.....

Praticando o sorriso


Nos mais avançados países, os hospitais utilizam a força do riso como recurso para o restabelecimento dos pacientes.

O poder das emoções positivas para a conservação da saúde e longevidade chamou a atenção de muitos pesquisadores.

Quando você sorri, 73 músculos da face se movimentam e o cérebro recebe uma sensação de segurança e bem estar.

Vi um documentário na TV que mostrava grupos de pessoas , que logo cedo, praticam “gargalhadas” para superar o stress do dia anterior e recomeçar o dia confiante, e também alguns relatos de que após essa prática conseguiram eliminar algumas sensações incômodas tais como: dor de cabeça, dor nos braços e pernas!!

Me propus a seguir a risca essa “terapia” e ... (conto no final.)

Ao sair de casa cumprimentei todas as pessoas com um sorriso e um alegre “Bom Dia!”, realmente a sensação é “gostosa”, me fez sentir confiante e segura.

Passei a sorrir para tudo e de tudo, sorri para a criança no colo da mãe, para todos os donos dos cachorrinhos em seu “passeio matinal”, sorri para o motorista do ônibus que me” fechou”, sorri para o motoboy que bateu no espelho do meu carro. Sorri para o motorista do veículo q parou em cima da faixa para pedestres.

Sorri quando pisei em um buraco no meio da faixa para pedestre.

E assim passei meu dia: com um “sorriso estampado no rosto”!

Quando voltei para casa, já era noite e ao ligar o interruptor notei que as luzes não se acenderam, claro que sorri, afinal era minha proposta sorrir somente o dia todo, por isso me deitei e aceitei a falta de energia elétrica.

Como era cedo ainda e o sono não vinha, comecei a fazer um “balanço” sobre o meu sorriso e os resultados obtidos foram :

Poucos retribuíram ao sorriso e muito menos ainda ao “Bom dia”!

Os donos dos cachorrinhos raramente coletam as “sujeiras” que estes fazem.

Já o motorista do ônibus e o motoboy me notaram, lembro deles respondendo:” Tá rindo de quê”????

As ruas estão muito esburacadas e poucos motoristas respeitam a faixa para pedestres.

Puxa, que falta de sorriso neste pequeno trajeto, pensei, está certo que temos preocupações, mas como é difícil para muitos, se “desligar” dos problemas diários e tentar relaxar um pouco, mesmo quando seguem em direção ao trabalho, a casa...

Basta apenas se desligar....

Foi quando dei um pulo na cama e lembrei q com a proposta de sorrir e buscar meu equilíbrio interno, esquecera de levar a conta de luz para pagar..... não sorri!!

O que não seria trair


Uma simples citação do verbo trair pressupõe um relacionamento extraconjugal.

Deixando de lado essa definição, esquecendo-a por definitivo, descobrimos  que por diversas vezes fomos traídos e os últimos a saberem.

Nossas expectativas nos traem quando desenhamos uma pessoa ideal como amiga, amigo ou companheiro.

Esperamos demais que a pessoa seja isso ou aquilo, mas elas nos traem ao nos mostrarem seu rascunho incompatível a nossa  obra prima.

Acreditamos no respeito e ele também nos trai, desrespeitar é trair de uma forma ridícula e patética.

Também somos traídos quando tentamos  dividir e somente nos subtraem . Seria impossível resgatar algo que provasse que valeu  a pena.

Quando esperamos, esperamos e nada acontece,nos sentimos traídos .Só esperávamos um sinal, uma negação ou uma afirmação....só esperávamos, só e esperávamos, só. Ao nos vermos só descobrimos que nós mesmos estávamos nos traindo enquanto esperávamos.

Não quero mais ser traída e para tanto não me traio mais, não mais espero, não mais desenho, não mais me permito ser desrespeitada.

Agindo assim, sem querer encontrei a fórmula da fidelidade, atente que não é a fórmula da felicidade, mas se não formos traídos não nos roubarão a felicidade!!

Melhor não deixar pra lá!!


“Pra lá” deve ser um lugarzinho pequeno que vive lotado de conflitos, dúvidas e rancores. Espero que nunca me digam:” Vou deixar você pra lá”. Eu não saberia lidar com tanta coisa antiga, remoída e “deixada”.

Deixar pra lá é não querer mais pensar sobre, não querer mais discutir sobre.

Já deixei tanta coisa pra lá que descobri que pra lá um dia também se enche e não tendo mais espaço transborda. Aí  passa  a doer e é só o começo! É quando o pra lá, vem pra cá. O pensamento começa a sentir pequenas “picadas”e relembramos fatos não resolvidos, apenas abandonados: deixados pra lá.

Então o q fazer ? Parar de deixar pra lá e tentar resolver, entender e até discutir se preciso for.

Não deixo mais pra lá minhas mágoas, por que quando elas voltam e se tornam presentes se transformando num  PRA CÁ imenso eu as vejo como um bicho enorme querendo me engolir.

Já as situações tolas, como uma discussão no trânsito, podemos deixar pra lá, por que as tolices normalmente se dissolvem, são tão desagradáveis que nem elas mesmas se suportam, atrofiam e acabam por desaparecer. Apenas os tolos se importam, mas podemos nos afastar de um tolo, graças a Deus!!

Outra situação que deixamos pra lá e que não retorna é a birra de um filho, que delícia deixar pra lá e depois receber “aquele” abraço como desculpa. A birra também nem chega perto do “pra lá”, é tão burrinha que se perde no meio do trajeto não se recordando mais qual direção  seguir: torna-se uma bruma no esquecimento.

Quanto as mágoas.....como elas nos ferem e doem, jamais as deixe entrar no seu pra lá, por que elas vão pra lá envoltas em um lençol opaco, mas retornam ao pra cá em um lençol transparente que faz com que vejamos sua forma de acordo com a incapacidade da cicatriz que nunca se fechou!!

Jogando fora


Tentou abrir a gaveta , mas estava emperrada.Também, com tanta coisa jogada lá dentro, sem o mínimo cuidado em saber se ela ainda comportava tudo....

Após várias tentativas e usando de muita força, a gaveta cedeu um pouco. Com as pontas dos dedos começou a apertar para o fundo e aos poucos a gaveta foi abrindo. Ufa!!...fechar seria impossível, melhor arrumar essa bagunça.

Foi separando por “assunto” aquele mundaréu de papéis que pareciam nunca acabar.

Muito tempo separando, separando, separando, separou tudo e notou uma enorme diferença entre a quantidade de “coisas” pagas e a de “coisas” recebidas. Realmente pagara muito mais do que  recebera, era impressionante a diferença. Mas pelo tempo que estavam na gaveta, sabia que jamais receberia se cobrasse agora.

Não era mais hora de cobrar nada, nem tinha mais importância se receberia ou não, aliás nem se lembrava mais que “coisas” eram essas que nunca lhe foram creditadas.

E assim pensando, jogou tudo no lixo que ficava fora da casa, sentiu um vento gelado. Ao entrar notou que sua garganta a incomodava, parecia tão apertada....deve ter sido a friagem... 

O café e a formiga.


Ele bebia seu café, tranquilamente, enquanto olhava uma formiga andando sobre a mesa. A tarde estava ensolarada e não ventava. Ele não gostava quando os dias estavam assim, calmos. Era fevereiro, mas parecia maio. Aquela sensação de “algo está para acontecer” o perturbava. Tentou desviar o pensamento enquanto acompanhava o trajeto da formiga sobre a mesa. Levantou-se e foi até o calendário que estava fixado atrás da porta. Olhou, olhou. Realmente, era fevereiro ainda.

Ouviu os vizinhos discutindo e se aproximou mais da porta. Nem respirava com receio que notassem sua presença. Percebeu que era “briga de marido e mulher”e desistiu de continuar ouvindo.Pensou:” é sempre a mesma briga, só muda o motivo”. E fazendo voz fininha disse: “Querido, você  deu a desculpa que eu queria pra te infernizar hoje”. E fazendo voz grossa disse: “ Querida, não começa!!!”

Caminhou até a mesa, o café havia esfriado, resolveu fazer outro café. Olhou pela janela e viu o vizinho saindo rapidamente com o carro, enquanto a esposa gritava: EU NUNCA ME ARREPENDO DE NADA, MEU NOME É MARIA!!

Por pouco não gritou uma resposta: E O MEU É “SEU VIZINHO”, MUITO PRAZER.....Dona Maria ...arrependida!!!

Colocou o café, que fizera, na xícara e novamente aquela sensação lhe invadiu. Sabia que algo aconteceria mas não imaginava o quê. Quantas vezes tentou imaginar, prever até, mas nunca conseguiu. Era só a sensação e depois esperar....esperar ...uma angústia...depois um medo... depois ...depois... bem depois acontecia algo. As vezes era algo grave, uma pessoa querida que morreu, uma casa que desabou próxima a dele. Outras vezes era algo insignificante, um pneu furado, um chuveiro que queimou.
Respirou fundo...

Sentou-se novamente e ...cadê a formiga? 

A primeira deve ser forte, a segunda pode ser tola

Uma vai a luta, a outra já venceu, nem disputa
Uma mostra-se séria, a outra está aos prantos
Uma  é segunda-feira, a outra é domingo
Uma é rancorosa, a outra  já esqueceu
Uma fica alerta, a outra deixa a porta aberta
Uma descobre, a outra, encobre
Uma escolhe, a outra recolhe
Uma por quase nada fica aflita, a outra  imediatamente recicla
Uma  cobra, a outra paga pra ver
Uma  exige, a outra pede
Uma  é cabeça, a outra é coração
A primeira é só razão, a segunda é  pura emoção!

A semente, a flor que mente e a solidão...

É a semente crescendo , cheia de idéias e perguntas e mais idéias dependendo das respostas.
O tempo passa, passa.... Passa mesmo....

A flor que mente está pronta!!  Linda não?... É o momento exato para nos lançarmos, para colocar em prática as idéias que selecionamos e acreditamos serem as corretas...e caminhamos, construímos , fazemos e acontecemos...afinal, somos imortais!!...nada mudará, será sempre assim!!

Nos movemos em direção a objetivos sempre acreditando que é o correto, o certo, claro, quem se lança a algo se pensar o contrário?!

Aquela senhora, sabe?...aquela da livraria....ela trabalha lá há muito tempo, conhece todos os livros, a livraria está bonita, arrumada!!!...A flor que mente acredita que aquela senhora sempre foi “A senhora da livraria”!!!....acredita que os velhos sempre foram velhos e continuarão velhos... E “ela” não envelhecerá ....ou melhor: vai demorar, não enxergamos a nossa velhice enquanto “flor”!!

Fica difícil saber em quais momentos a solidão começará a agir... Mas nos sentimos “velhos” em muitas situações: quando não conseguimos que nossos sonhos se concretizem, quando esperamos demais soluções pra tudo, afinal tudo tem explicação!!

Agora é hora de ser cauteloso, e não dizer: Pra que farei isso?....isso não tem importância, foi só um sonho!!

É o momento certo de resgatar a semente e a flor que mente que sempre existe dentro de nós!!!

A flor está madura, ainda exala seu perfume e cada pétala contém uma história, uma experiência de vida, que poderão ser repassadas, repensadas e reaproveitadas pras novas oportunidades que sempre, sempre surgirão!! Juntar-se a outras flores, formar  uma “equipe” que com certeza, exalará mais perfume...e a “solidão”, essa sim, desaparecerá!!

Não podemos fugir dessa continuidade, mas podemos rir, podemos ser felizes vivendo pétala por pétala!