domingo, 20 de novembro de 2011

O café e a formiga.


Ele bebia seu café, tranquilamente, enquanto olhava uma formiga andando sobre a mesa. A tarde estava ensolarada e não ventava. Ele não gostava quando os dias estavam assim, calmos. Era fevereiro, mas parecia maio. Aquela sensação de “algo está para acontecer” o perturbava. Tentou desviar o pensamento enquanto acompanhava o trajeto da formiga sobre a mesa. Levantou-se e foi até o calendário que estava fixado atrás da porta. Olhou, olhou. Realmente, era fevereiro ainda.

Ouviu os vizinhos discutindo e se aproximou mais da porta. Nem respirava com receio que notassem sua presença. Percebeu que era “briga de marido e mulher”e desistiu de continuar ouvindo.Pensou:” é sempre a mesma briga, só muda o motivo”. E fazendo voz fininha disse: “Querido, você  deu a desculpa que eu queria pra te infernizar hoje”. E fazendo voz grossa disse: “ Querida, não começa!!!”

Caminhou até a mesa, o café havia esfriado, resolveu fazer outro café. Olhou pela janela e viu o vizinho saindo rapidamente com o carro, enquanto a esposa gritava: EU NUNCA ME ARREPENDO DE NADA, MEU NOME É MARIA!!

Por pouco não gritou uma resposta: E O MEU É “SEU VIZINHO”, MUITO PRAZER.....Dona Maria ...arrependida!!!

Colocou o café, que fizera, na xícara e novamente aquela sensação lhe invadiu. Sabia que algo aconteceria mas não imaginava o quê. Quantas vezes tentou imaginar, prever até, mas nunca conseguiu. Era só a sensação e depois esperar....esperar ...uma angústia...depois um medo... depois ...depois... bem depois acontecia algo. As vezes era algo grave, uma pessoa querida que morreu, uma casa que desabou próxima a dele. Outras vezes era algo insignificante, um pneu furado, um chuveiro que queimou.
Respirou fundo...

Sentou-se novamente e ...cadê a formiga? 

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