quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

No cotidiano

Colocou o arranjo de flores sobre o balcão e abriu a loja de doces.

— Um brigadeiro, por favor, o maior, aquele ali a direita, não, isso, obrigada.
— O quindim está fresquinho? Quero dois, embale para viagem, rápido que estou com pressa.
— Uma fatia daquele bolo de chocolate maravilhoso. Não se preocupe em embalar, vou devorar agora mesmo.Muito obrigada.
— Me veja quatro queijadinhas,mas quero as mais clarinhas, por que a semana passada comi duas muito queimadas, estavam horríveis.Vamos ver se hoje estão melhores.
— Não tem rocambole? Nunca encontro rocambole em loja de doces. Aqui não é uma loja de doces? Então porque não tem rocambole?
— Impressionante, não é? Nunca vejo novidades em loja de doce...
— Faz meia hora que paguei e não recebi minha ficha.
— Nossa, aqui dentro está muito abafado, não tem ventilação aqui?
— Poderia fechar a porta? Está um vento insuportável.
— Uma fatia de torta.
— Um bombom
— Um...
— Dois...

...  Fechou a loja, pegou o arranjo de flores, sentou-se e aos poucos, lentamente, passou a morder as pétalas: baunilha!....Mordeu o miolo das flores: fios de ovos!

Colocou o avental e foi para a cozinha preparar um novo arranjo de flores. Amanhã, quem sabe?!

4 comentários:

  1. Quem sabe? Amanhã, quem sabe alguém perceberá a beleza e a mágica das pequenas coisas, quem sabe?

    Fico impressionado de ser o primeiro a comentar seus textos, talvez seja por medo de escrever algo que não faça jus á sensibilidade com que os escreve

    Li e re-li alguns deles e pranejo ler os que faltam, parabéns.

    ResponderExcluir
  2. confesso que me emocionei ao ver que o primeiro comentário foi um elogio, isso só me motiva a continuar...muito obrigada!!

    ResponderExcluir
  3. Gostei muito da simplicidade, as vezes não percebemos os detalhes as minimas coisas... coisas pequenas que fazem a diferença..

    ResponderExcluir
  4. e essas coisas acabam passando sem que percebamos o valor...obrigada!!

    ResponderExcluir